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sábado, 25 de julho de 2009

IJIME

No Japão, os maus tratos(físicos ou verbais) e perseguições que sofremos nas escola ou no trabalho, são chamados IJIME. Muitas crianças japonesas se suicidam a cada ano, deixando cartas pedindo perdão aos familiares por terem sido fracas. Talvez, ser forte signifique sofrer calado até que um dia tudo passe ou termine em suicídio. Muitos brasileiros também sofrem ijime, e as vezes pelo simples fato de não serem japoneses, são menos vistos pela escola. Pais e mães se armam de tradutores e vão até a escola reclamar sobre os maus tratos sofridos pelo aluno. As vezes reclamar é pior, somente os fracos reclamam... Numa situação igual, no Brasil os pais fariam um escândalo na escola, na Secretaria de Educação ou procurariam diretamente a polícia, a Delegacia da criança,os jornais, o rádio, a tv local, etc, etc... Aqui esse assunto parece ser exclusivamente da escola, que em muitos casos finge ou ignora que o ijime exista. Em alguns casos os pais das partes envolvidas são chamados à escola e a situação acaba. Mas o que fazer com as crianças que não querem mais frequentar a escola, que se sentem perseguidas, discriminadas?
Ijime não é assunto para a polícia, hoje isso ficou claro durante a aula de japonês onde haviam dois policiais convidados pra conversar sobre o trabalho da polícia com os estrangeiros. Uma africana, com lágrimas nos olhos, explicava pedindo ajuda para o problema com a filha na escola, o filho também está começando a sofrer discriminação na escola dele, as outras crianças o chamam de chocolate em japonês...
Sorte nossa que frequentamos uma classe ondes os voluntários que nos dão aulas se preocupam com nossos problemas, com certeza alguém do grupo irá com ela até a escola discutir o problema. E essa escola pode até não resolver o problema, mas ficará claro que essa estrangeira não é uma qualquer que veio aqui prá bagunçar o país... Quando um japonês/japonesa te acompanha a algum lugar pra resolver algo ou te apresenta a um emprego, por exemplo, é como se estivesse te avalizando. Daí a importância de fazer parte de um grupo, de prestigiar o trabalho dos voluntários. Por mais que nossos problemas não se resolvam, não nos sentiremos tão sozinhos e impotentes numa terra estranha onde nós somos a diferença! E viva a diferença, respeitando os diferentes!...