Faz muito tempo que não escrevo, não é so a falta de tempo, a preguiça nem as mil coisas que tenho que fazer... Meu dia deveria ter cinquenta horas, preciso de tempo para pensar, para trabalhar na fábrica, para ser mãe, esposa, professora... Talvez eu seja uma daquelas cobras que quanto mais você pisa, mais ela se arrasta e sobrevive, tem sempre alguma coisa tentando me derrubar, quando está tudo indo bem, pof!... Eu já renasci tantas vezes, e não estou falando de supostas reencarnações, nem dos resquícios de vidas passadas que as vezes percebo em meus sonhos malucos, é óbvio que não sou normal, senão não estaria aqui escrevendo prá você ler... Vivo renascendo de minhas crises existenciais, econômicas, etc,etc.
Mas assim como a América eu também tenho meu 11 de setembro, o dia em que também sofri um atentado. Um equipamento planejado para salvar vidas, quase tirou a minha. Depois de parar o carro numa esquina, olhar para todos os lados e sair lentamente, o air bag da minha wagon R me deu soco, explodiu na minha cara e eu bati num poste, em baixa velocidade.
O fabricante, Suzuki, fez a perícia, não encontraram explicações, a culpa é minha que dirigia próximo ao poste, detalhe a rua é estreita, sem calçadas e os postes quase no meio da rua... Bom, eu não morri, ficaram as sequelas emocionais e financeiras... Eu poderia abrir um processo, mas isso custa dinheiro, que não tenho, tempo que não tenho e ainda teria que ficar remoendo, recordando esse dia que só quero esquecer... Se pelo menos eu fosse fluente em japonês, mas ter que explicar a um tradutor... Assunto encerrado, não quero falar mais sobre isso, não pensar já é mais difícil porque o trauma não passa... Eu só queria mesmo deixar um alerta, se você soubesse o quanto dói o soco de um air bag jamais carregaria uma criança no banco da frente...