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domingo, 20 de maio de 2012

Andorinhas solitárias- eu vi e gostei...

 Hoje, fomos ver o documentário Andorinhas Solitárias, sessão de cinema e debate na cidade de Takaoka, em Toyama. o filme acompanha a trajetória de um grupo de adolescentes no Japão e depois os visita no Brasil. Chegamos, já depois do início, eu, meu marido e nosso filho adolescente que foi praticamente obrigado a ir mas achei que seria importante para ele assistir um pouco dessa realidade que nos cerca e que as vezes, nem temos tempo de pensar... Alguns pontos me chamaram a atenção, quando a menina disse que nasceu e cresceu no Japão e não entendia porque era obrigada a voltar para o Brasil, que lá não era seu lugar... Ou quando o rapaz diz que foi criado como os japoneses, que vivia e pagava os impostos como os japoneses e agora havia sido preso por porte de maconha e seria devolvido ao Brasil, deportado... Outro jovem fala da dificuldade de se relacionar com o pai, os problemas que causou a família...
Dois jovens e o professor, produtor do filme, vieram para o debate. Na plateia, muitos adultos e poucos jovens, alguns jovens relataram suas experiências na escola japonesa. Uma senhora criticou a organização do evento, uma mãe elogiou e agradeceu, um senhor reclamou que havia se oferecido para ser voluntário e ensinar japonês e matemática aos estrangeiros mas que eles não aparecem...
Os dois jovens, Pablo e Yuri reponderam as perguntas do público e falaram sobre suas experiências. Yuri deixou claro que na ocasião em que participou de gangues era realmente divertido, mas que isso causou muitos problemas e sofrimento a ele e aos familiares. Também nos disse que não contava aos pais sobre os problemas na escola, que se tivesse alguém com quem conversar e se abrir, talvez pudesse ter sido diferente...
Uma pessoa também disse que as difrenças culturais são muitas entre nós, citando que os japoneses agradecem algo inúmeras vezes e os brasileiros apenas uma. Eu discordo e gostaria de ter dito que nós brasileiros realmente somos diferentes e que nos movemos mais por sentimentos que por obrigação ou etiqueta, quando agradecemos: agradecemos de coração... é claro que nem todos somos iguais, como em todos os povos... Mas esse não era o tema principal e eu me calei.
Voltando ao debate, eu esperava ver um número bem maior de brasileiros, já que somos a segunda maior comunidade estrangeira de Toyama, e as escolas de Takaoka enviaram convites as famílias. Nós brasileiros reclamamos muito das coisas que não temos aqui e precisamos valorizar mais o que nos oferecem. Eventos como esse são de grande importância, um assunto complexo que deve sim ser discutido com nossos filhos, que desconhecem a realidade do Brasil e vivem num mundo a parte no Japão. Como mãe eu fiquei pensando, em que mundo meu filho vive? Quem são os amigos dele? Que futuro ele terá?...
E prá finalizar, eu só posso agradecer a iniciativa das pessoas que produziram, participaram e estão promovendo o evento na comunidade. Que seja o primeiro passo de uma longa caminhada...
Só acho que para uma próxima exibição e debate, já que os participantes brasileiros dominam tanto japonês quanto o português, ao responder as perguntas deveriam eles próprios responder nos dois idiomas, assim as respostas seriam mais ágeis e mais fáceis de entender, aproveitando melhor o tempo em mais perguntas, ficaria menos cansativo para a platéia e para os próprios participantes... ficando o tradutor apenas para os japoneses.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Procurando uma resposta


_Professora, por que você quis ser professora? Pelo dinheiro? _Me pergunta um menino de oito anos.
A primeira resposta seria uma gargalhada. A segunda, a falta de opção. Precisava me formar e como não gostava tanto assim de matemática para ser contadora...
Na verdade, quando era criança, eu não sabia certo o que queria ser. Sempre soube o que não queria ser, e isso incluía não ser professora, cozinheira, esposa, mãe... me tornei tudo isso e gostei...
Na adolescência, queria ter ido para o exército, corpo de bombeiros, fazer teatro, estudar história antiga, desenho, ser  engenheira agrônoma,  piloto de avião...
E se a mesma criança me perguntasse: _Professora, por que deixou de ser professora?
Então eu seria obrigada a responder: _Pelo dinheiro...
Muitos professores trabalham por amor mas precisam de dinheiro prá sobreviver...
Como funcionária, substituta da prefeitura, depois de um mês inteiro de trabalho, planejamentos, dedicação, estresse também... ia buscar meu salário e... A funcionária, tão funcionária quanto eu, me olhava lá do alto de sua imaginária importância e arrogantemente dizia: _Não tem dinheiro hoje não...
Estaria eu pedindo esmolas? Era o que parecia. Mas não era sempre assim, não, as vezes recebíamos na sexta-feira, depois que o banco fechava, um cheque... Mas isso foi há muito tempo, espero que as coisas tenham mudado...
Mas então, professora por que voltou a ensinar?
Essa é uma resposta difícil. Existem coisas que fazemos para sobreviver, outras por prazer, obrigação,  e ainda outras que não tem muita explicação...
No meu caso, ser professsora não é ensinar, é apenas mostrar o caminho pelo qual o aluno vai caminhar para sempre... Eu não ensino, apenas divido o pouco conhecimento que tenho, e essa satisfação dinheiro nenhum paga... Talvez essa seja a minha maior missão, ser professora...




foto: sala de aula na minha casa: Japão, Imizu-shi