Passei nove anos ensaiando para visitar o Brasil. Não um retorno pois isso, no momento, me parece impossível, um passeio para visitar o que restou da família e amigos. Nesses anos todos muitas coisas mudaram, o país cresceu economicamente, as crianças cresceram, algumas pessoas queridas faleceram, mas isso eu já sabia pela internet...
Sair do Japão não é fácil, optamos por ir de ônibus de Toyama/Takaoka até Nagoya onde, eu e meu marido, nos encontramos com nossa filha enquanto esperávamos o ônibus gratuito da Emirates e então seguimos para Osaka e partimos para Dubai num vôo que sai por volta da meia-noite, só até aí gastamos o dia todo.
Depois de horas e horas de vôo, uma pequena decepção: enquanto no Japão temos banheiros limpos, lindos e confortáveis nas lojas de departamentos, no aeroporto mais famoso do mundo o banheiro é simples, sem charme algum, e uma fila de espera enorme...
Ainda sobre o aeroporto, é muito fácil de se locomover, basicamente se anda em linha reta, também ha painéis informando sobre números de vôos e locais de embarque. Difícil mesmo, foi encontrar um lugar para sentar... Pelos corredores, crianças dormiam amontoadas, no chão, junto com suas mães... Há muitas lojas, restaurantes e tudo muito, muito caro. No retorno, comprei uns docinhos que pareciam gostosos mas só na aparência...
Mais um monte de horas e pronto! Aeroporto Internacional de Guarulhos... Pelos corredores de desembarque, homens de uma educação duvidosa comandavam a fila, me senti parte de uma boiada...
_Brasileiros na última fila... brasileiros na última fila...
Uma moça falava aos berros. No guichê final, mais um rosto antipático, e uma impressão de que aquela pessoa não tinha o mínimo preparo para estar ali... Ufa!... Depois de uma hora, conseguimos pegar nossas malas. Antes disso fui ao banheiro e _Meu Deus!_ se prá uma brasileira já é chato, imaginem um turista estrangeiro ser recepcionado com um sanitário daqueles... Trocar dólares também parece um assalto, para vender 1,91, menos imposto, menos 15 reais de taxa. 2,13 para compra, mais imposto, mais 15 reais de taxa...
Mas tudo bem, meu irmão nos pegou e fomos prá Campinas e de lá para Presidente Prudente.
Que decepção! A rodoviária nova de Campinas é um poço de má organização e burocracia. Comprei o bilhete do último ônibus e o perdi porque enquanto meu irmão procurava um carrinho para carregar as malas o ônibus partiu... Troquei a passagem, tentei guardar as malas no guarda-volumes mas a antipática da funcionária que estava pegando o posto naquele instante não tinha troco e mandou que
eu me virasse... No retorno, já sabendo que os carrinhos eram um problema, desci do ônibus e fui correndo pegar um... pois não é que o motorista da Andorinha foi embora para a garagem levando minhas malas... Novamente não consegui nenhuma informação no guichê de informações da rodoviária, no 0800 da empresa o atendimento é péssimo. Quando finalmente consegui falar na garagem, prometeram enviar as malas no carro do meio-dia e não cumpriram. Tive que buscá-las pessoalmente. Infelizmente a empresa Andorinha é a única com viagens diárias, talvez por isso, tanta eficiência... Outro fato interessante é que no Brasil, o consumidor é sempre o culpado!
Mas nem tudo são reclamações. Em Presidente Prudente, por exemplo, achei o atendimento do Poupatempo excelente, pessoas simpáticas, bem treinadas, educadas e ainda tem aqueles botõezinhos coloridos prá você escolher o nível do atendimento. Aliás, isso deveria ser copiado pelo comércio em geral... Em Costa Rica, também fui muitíssimo bem atendida!
Minhas férias, nove dias!!!! Que coisa, nove anos prá ir, nove dias de passeio? Passou muito rápido. Mas fiquei feliz em ficar um pouco com minha mãe, ver minha vó velhinha... caminhar no quintal da minha casa, andar pelas ruas da minha Vila Marcondes...
Também dei uma passadinha rápida em Maringá/PR e Costa Rica/MS. Maringá não conheço e não deu tempo prá conhecer, apenas visitei a família de meu irmão.
Mas Costa Rica cresceu muito, toda asfaltada, linda! reencontrei amigos e me senti em casa, em família!
De volta ao Japão, a praticidade de despachar as malas no aeroporto e recebê-las na hora marcada, na manhã seguinte. Prá não dizer que não fui bem tratada no aeroporto de São Paulo, a moça da alfândega abriu minha mala que apitou e deixou passar as goiabadas, nem viu o pote de doce de leite...
O sistema de transporte do Japão é eficiente sim. Voltei de trem para Toyama/Takaoka. Trazendo nas malas, quilos e quilos de livros didáticos, uns docinhos e sem muitas histórias prá contar. O antendimento no avião é nota cem! Mesmo na classe econômica todos são muitíssimo bem tratados, fiquei surpresa e satisfeita. Voar pela Emirates não foi barato mas compensou.
Na estação de Shin-Osaka, estava em dúvidas sobre o local de embarque e perguntei a uma japonesa, a moça saiu correndo subindo as escadarias e voltou com um guarda que viu meu bilhete e me confirmou sorrindo. Antes de tomar seu trem ela ainda me sorriu, se despediu e me deu um vidrinho de vitaminas para descansar e deixar a pele bonita... Corpo cansado, pés inchados a ponto de não caber nos tamancos, cheguei em casa. Dois dias inteiros dormindo prá lá e prá cá, do sofá para a cama...
Retorno ao trabalho, e por azar, meu dia de fazer um pequeno discurso e ler uma oração.
Todos esperando para saber da minha maravilhosa viagem... E agora, o que dizer? Que quase morri de calor no inverno brasileiro... que já não me acostumo mais com o barulho que as pessoas fazem, com as buzinas e latidos de cachorros, que no meu país o preço das coisas está altíssimo... que as vendedoras ficam batendo papo entre si enquanto nos atendem... que algumas pessoas que diziam estar com saudades nem me deram atenção ou um copo com água... Então eu disse que não tive muito tempo para passear ou fazer compras mas que fiquei feliz por ter visto minha mãe, algumas pessoas da minha família e alguns amigos que considero como família.
E agora, dona Silvia? Eu esperei tanto tempo prá ir e descobrir que não sei se estou no caminho certo, mas no momento meu lugar é aqui. Pretendo passear mais vezes no Brasil e assim não me chocar tanto.
O país que vai sediar as Olimpíadas e a copa do Mundo precisa mudar muita coisa! Tomara que dê tempo...