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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Aqui se faz...

_ É sua filha, Benê?_ Estava claro que não era, e a mocinha sabia bem disso. A intenção era constranger mesmo, o cinismo era evidente.
_ Não. É minha namorada! _ Ele não se constrangeu. Claro. Eu era jovem, magra e bonitinha. E modesta também...
_ Ah!...
Dizer que esqueci isso seria mentira , mas tudo bem, o tempo passa... o tempo voa...
Nem sei quantos depois, vou servir uma mesa no meu restaurante e... quem está lá? Quem? Quem? Ora... Ela. Já não tão mocinha, acompanhando um senhor digamos... idoso, muito idoso. O meu diabinho interior ( também tenho um anjinho) sorriu. É hoje! Mas a minha educação, maldita educação, me fez engolir as palavras que já estavam na ponta língua _ É... seu avô?_
Em respeito ao velh..., ao senhor que não tinha culpa daquilo, eu não disse nada. Mas, pela expressão ressabiada da moça, talvez tenha lido nos meus olhos brilhantes ou no meu sorriso cínico ,também, que eu estava vingada.
Assim é a vida, a minha vida, o tempo se encarrega de muitas coisas e eu espero. E eu sei esperar...

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