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domingo, 11 de julho de 2010

Desilusões

De repente, o chão se abre. As paredes se soltam, o telhado desaba sobre sua cabeça. E você começa a cair naquele buraco que parece não ter fim...
E vai caindo...
Caindo...
Caindo...
Sem ter onde se agarrar, sem ter como fugir, ninguém prá te salvar.
E continua caindo...
Caindo...
Caindo...
Cain...
E logo está lá, no fundo de um poço escuro, gritando em silêncio, chorando mudo.
Você se dá conta que talvez mais da metade da sua vida é uma mentira, ilusão... Que as pessoas que você mais amava te traíram. Que as pessoas em que mais confiava, não confiavam em você. Você percebe da maneira mais dolorosa, todos os seus defeitos, o quanto errou tentando acertar... O quanto foi igual ou pior tentando ser diferente. E no fundo do poço, você se sente um verme. Um lixo. Inútil. Culpado. Negligente. Ausente. Cego. Burro!!!!
Como seria bom se tudo não passasse de um pesadelo, acordaria e seria feliz em seu mundinho perfeito. Mas você não é perfeito e como pode se enganar tanto, como se deixou enganar...
Então você está só, rodeado de pessoas e solitário. O mundo a sua volta não pára. Você já não tem mais prá onde voltar. Você não sabe e não quer aprender a perdoar. Você não quer ser hipócrita e conviver com certas pessoas apenas para não se sentir só.
Do fundo do poço, você olha prá trás e descobre que praticamente todas as suas lembranças que eram felizes estão poluídas e do fundo do poço você começa a deletar pessoas de seus arquivos, e pagará caro por isso. Estará sozinho nisso. E ficará mais só porque ou ninguém acredita em você ou ninguém tem nada com isso. Afinal, errar é humano ou não foi bem assim, ou a culpa é dos outros... No fundo do poço você descobre que seu mundinho era muito, muito menor... E que certas verdades doem tanto, mas tanto que não há remédio nem tempo que cure.
E depois de um tempo, até suas lágrimas, sua melhor companhia te abandona. Secam. E você encolhido em seu cantinho precisa reagir, em seu minúsculo mundinho ainda restam umas poucas pessoas que precisam de você.
O caminho de volta é longo, sem escadas. Você vem se arrastando, caindo e levantando, volta prá sua vida. É preciso viver! Apesar de tudo, afinal nada jamais será como antes pois o que te roubaram não há como ser devolvido, é preciso continuar vivendo. Mesmo que não sobre nada, nem ninguém em seu mundinho, você ainda está lá!!! Você não pode mudar o passado, mas pode melhorar o futuro!...

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