sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Estudar é bom demais!
Todo mundo diz que não tem tempo! Mas as pessoas arrumam tempo prá fazer muitas coisas, todo mundo precisa dormir, descansar, rezar, dançar... lógico! Mas do jeito que as coisas vão, vai sobrar muito tempo prá fazer isso, desempregado, no Brasil... As salas de aulas onde os voluntários ensinam japonês para estangeiros estão sempre vazias,de brasileiros... Aparecem filipinos, chineses, paquistaneses, russos... E eu deveria sentir orgulho de ser a única brasileira que está lá desde o início do curso? MORRO DE VERGONHA!!!! Mas deve ser muito caro, 300 yenes a aula... Sim eu morro de vergonha mesmo!!! As aulas são no sábado, das 7 as 8 e 30. Os voluntários se esforçam, perdem um tempão e... os brasileiros desistem facilmente, desaparecem, pelos mais variados motivos... A crise não tá por aí, ela está aqui! O desemprego batendo em nossas portas. Toc. Toc. Quem é? kubi desu!... Todo mundo sabe que nós estrangeiros somos os primeiros a perder o pescoço. Os critérios são velhos conhecidos. Idade demais ou de menos, nível de conhecimento de nihongo... Ah, mas estudar prá quê? A gente tá bem na fita com nosso nihongo de feira; daikon, gohan, wakaranai, okane... ou de índio, mim shirubia japão suki... Dai joobu! Siiiim, ok! Dai joobu prá quem quiser, ou não, mas eu vou estudar japonês!!! Prá quê? Prá entender direito as reclamações da escola japonesa do meu filho? Já passei essa fase, reclamação eu entendo bem, e como entendo! Mas quem sabe prá daqui a pouco ele não ficar por aí se escondendo da família analfabeta ou me proibir de falar em público... Tem muita gente passando por isso aqui... Mas eu estudo porque quero! Eu gosto! Eu preciso! Quando voltar pro Brasil, e estiver bem velhinha ( nem tão velhinha...) sentadinha lá varanda, aquelas crianças barulhentas, cachorros latindo por todos os lados... e eu lá lendo meus livrinhos de estórinhas japonesas, em japonês! Quando alguém me perguntar sobre a vida que tive no japão, não quero falar; ai meu fio, os japoneses são frios... o trabalho era cansativo... Eu quero falar de outras coisas, além das flores, da comida... Eu gosto do Japão, e mesmo que não gostasse, eu respeito o país no qual eu vivo e produzo. E, ao menos, tentar aprender o idioma do país onde vivo, é uma maneira de demonstrar respeito! E de conseguir também...
domingo, 9 de novembro de 2008
GIANINI ESPORTE_ algumas lembranças

Quando estava grávida de meu primeiro filho, Alan, meu cunhado Luiz também estava ¨grávido¨ do Gianini, um time de futebol que saiu das peladas entre amigos para as páginas dos jornais da capital. No dia da inauguração do Estádio Beira Rio, depois Júlio Maia, construído com recursos próprios, entre barulhos de torcedores e queima de fogos, meu filho com 1 mês de idade dormia sossegadamente em seu carrinho enquanto toda a família trabalhava. O Benê na portaria, exigindo as carteirinhas dos sócios, o Vila Abreu correndo prá lá e prá cá, eu, dona Rosa e Cristina ajudando no caixa, Isabel e Tia Albertina na cozinha, Luiz, Geraldo e Toninho no campo...
Domingo era dia de folga, depois do almoço. O supermercado Vila Abreu abria as 6 da manhã e fechava ao meio -dia, 1 hora. Folgar no domingo significava, fazer limpeza, lavar roupas, tirar um cochilo ou passear na fazenda. Passear na fazenda significava, plantar ou colher alguma coisa, e comer muita poeira na carroceria(ou carroçaria) da camionete, e abrir porteiras, montar e cair do cavalo... melhor não passear! Em dia de jogo era uma correria só, e toda a família tinha que comparecer ao estádio e trabalhar! Era uma diversão, mas também uma obrigação de parente! Quando o time saía prá jogar em outras cidades era uma agonia geral. A vitória era comemorada com muito barulho, fogos, buzinas e uma carreata pela avenida José Ferreira da Costa, Costa Rica vibrava! Dizem que quando o time perdia saía escoltado das cidades, perseguido pelos torcedores locais, quando ganhava também... Foi um tempo muito bom, enquanto presidente do time, o exigente Vila Abreu, em véspera de jogo saía pelos bares da cidade procurando algum jogador que estivesse desobedecendo ¨ o toque de recolher¨, jogador do Gianini não podia fazer isso, não podia comer macarrão em véspera de jogo(?)... Existia um amor a camisa, uma devoção, algo que mobilizava toda a cidade.
Antes de ir embora de Costa Rica, participei com meu sogro, minha sogra e meus filhos, de uma homenagem ao Luiz e ao Gianini. Ambos já não existiam mais. Eram apenas uma lembrança de tempos felizes.
Quando o Luiz foi morto, eu estava grávida de meu último filho! E a última lembrança que tenho de meu cunhado vivo, é a maneira como olhava para o meu barrigão. Ele adorava crianças. E este sobrinho que ele foi impedido de conhecer hoje é goleiro no time de futebol da escola, não se esforça muito mas o futebol foi opção dele. 14 anos! Se estivesse vivo, Luiz poderia se orgulhar de seus filhos e sobrinhos, ainda que alguns deles prefiram jiu-jitsu.
_Ô Alambrado (era como chamava o Alan), vamos no campo com o tio?
Por uns tempos ele foi, e foi mascote do time por um bom tempo. _ Goooool gianini basil!!!_ Era o que se ouvia em casa, não importava que jogo estivesse passando na tv...Mas depois, _ Ah, tio não quero aprender futebol não..._ Alan, até gostou de basquete, mas também prefere jiu-jitsu...
Costa Rica tem muita história prá contar. Mas algumas, simplesmente, jamais poderão ser esquecidas.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
O que será que a escola japonesa tem de bom?

A comida? O cardápio é variado. Prá brasileiro é ruim, um sabor estranho...
O horário? Muito longo, a escola cansa...
As brincadeiras? Não tem... Não tem?!
Quando chove não precisa ir à escola? Precisa! Com chuva, sol, neve forte...
As férias? São ótimas!... Precisa levantar cedo todos os dias prá fazer ginástica na pracinha... treinar... participar de eventos esportivos...
As excursões escolares? Hum... tem que fazer resumo depois, jornal...
Ah, mas aprende muita coisa diferente! Sim, fazer arrumação, limpeza, costurar, cozinhar...
Os professores são legais? Hum... São né... se eu soubesse o que ele está falando...
Meu filho sempre reclamou demais, mas não emagreceu por causa da comida... Os problemas existem pois a escola foi feita para os japoneses, e de repente ninguém sabe o que fazer com os ALIENS que aterrizam na escola...
Reclamações à parte, a primeira vez que fui na escola, num evento cultural, fiquei impressionada com a estrutura física. Um espaço amplo e organizadíssimo prá pouquíssimos alunos. Sim, a escola primária, 6 séries, 2 classes por série, cerca de 300 alunos no máximo, período integral. Escola pública. Piscina. Ginásio de esportes com palco e cortinas de dar inveja a muitos teatros no Brasil... Campo prá beisebol, futebol... Escola paga. Uma tarifa básica prá cobrir os gastos com alimentação e material escolar. Os uniformes são caros. Toda criança, japonesa ou não, é obrigada a frequentar a escola, japonesa ou não. Mesmo as que, um dia, voltarão ao Brasil...
domingo, 2 de novembro de 2008
Finados?
_Êeeh, hoje é dia 2, é finados no Brasil..._ Meu marido se lembrou. Aqui o tempo parece que passa muito rápido e já não prestamos muita atenção nas datas.
_Éh mesmo! _ Aqui no Japão dia 3 é dia da cultura, e eu estou sempre ocupada tendo que ir no bunka katsudou kai da escola ver as atidades culturais da classe do meu filho, e ainda tenho que ir no bunka sai do nosso curso de japonês, onde nós somos atração internacional. Chique, né!
Mas, num instante me veio a imagem das pessoas que perdi. Meus avós paternos, Dinho e Dinha, com quem convivi muito pouco... Meu cunhado Luiz Yamashita ( Chita/ China/Luiz Vila Abreu...), irmão prestativo, tio carinhoso, amante do futebol, amigo de seu amigos, daquele tipo que fica à pé prá emprestar o próprio carro pro amigo viajar... Gostava de dar festas, de distribuir presentes aos amigos, parentes e aos mais pobrezinhos no dia das crianças, no Natal. Ainda jovem levou cartão vermelho, foi expulso do campo da vida... Seu pai foi em seguida, abatido pela perda do filho, a diabetes levou meu sogro Vila Abreu,( José Benedito) que por um tempo também foi meu pai, exigente, bravo, mas um avô de verdade! Aos 98 anos, eu acho, perdi Seu Antonio, outro pai, avô que tive por pouco tempo mas que jamais vou esquecer. Cabeça jovem, coração bom... Era meu vizinho, não esperou por mim...
Dia de Finados é assim, a gente chora, reza, lembra das histórias tristes, trágicas ou alegres, ri... visita cemitério, leva flores... A única certeza que temos é que vamos morrer, e como fugimos disso! Mas aqui no Japão, nossos dias são quase todos iguais. Nós vivemos na ilusão de que nossos parentes e amigos estão todos lá, aguardando o nosso retorno. Será?
_Éh mesmo! _ Aqui no Japão dia 3 é dia da cultura, e eu estou sempre ocupada tendo que ir no bunka katsudou kai da escola ver as atidades culturais da classe do meu filho, e ainda tenho que ir no bunka sai do nosso curso de japonês, onde nós somos atração internacional. Chique, né!
Mas, num instante me veio a imagem das pessoas que perdi. Meus avós paternos, Dinho e Dinha, com quem convivi muito pouco... Meu cunhado Luiz Yamashita ( Chita/ China/Luiz Vila Abreu...), irmão prestativo, tio carinhoso, amante do futebol, amigo de seu amigos, daquele tipo que fica à pé prá emprestar o próprio carro pro amigo viajar... Gostava de dar festas, de distribuir presentes aos amigos, parentes e aos mais pobrezinhos no dia das crianças, no Natal. Ainda jovem levou cartão vermelho, foi expulso do campo da vida... Seu pai foi em seguida, abatido pela perda do filho, a diabetes levou meu sogro Vila Abreu,( José Benedito) que por um tempo também foi meu pai, exigente, bravo, mas um avô de verdade! Aos 98 anos, eu acho, perdi Seu Antonio, outro pai, avô que tive por pouco tempo mas que jamais vou esquecer. Cabeça jovem, coração bom... Era meu vizinho, não esperou por mim...
Dia de Finados é assim, a gente chora, reza, lembra das histórias tristes, trágicas ou alegres, ri... visita cemitério, leva flores... A única certeza que temos é que vamos morrer, e como fugimos disso! Mas aqui no Japão, nossos dias são quase todos iguais. Nós vivemos na ilusão de que nossos parentes e amigos estão todos lá, aguardando o nosso retorno. Será?
(IN) GRATIDÃO
_ Com quem você aprendeu? _ O apresentador do programa perguntou algo assim.
_ Ah... sózinho. Desde pequeno eu faço isso! _ O grande gênio repondeu cheio de si. Era seu momento de glória, seu talento sendo reconhecido num programa de tv. Enquanto os trabalhos eram exibidos, do outro lado da telinha, muitas pessoas orgulhosas e algumas; decepcionadas. Pessoas sem importância, talvez um professor da escola, um conhecido da família, um artista amador que havia lhe dado uns toques, o professor de pintura... Ninguém que quisesse ter seu nome citado, mas ninguém que quisesse ter ajudado a criar um ... um ingrato.
O talento é nosso, sem dúvida! Há quem diga que ninguém ensina ninguém, apenas mostra o caminho para a aprendizagem. E nós somos eternos aprendizes. Em todas as fases de nossas vidas há um mestre esquecido. Eu aprendi, e ainda aprendo, muitas coisas por meio de várias pessoas, muitas vezes apenas observando. Eu tenho muitos dons e se um dia conseguir usá-los , é porque tive, e tenho, bons mestres. Alguns anônimos que nem sonham que aprendi com eles, outros que até me esqueci o nome, mas prá todos eles eu devo alguma coisa, ao menos um MUITO OBRIGADA!!!
_ Ah... sózinho. Desde pequeno eu faço isso! _ O grande gênio repondeu cheio de si. Era seu momento de glória, seu talento sendo reconhecido num programa de tv. Enquanto os trabalhos eram exibidos, do outro lado da telinha, muitas pessoas orgulhosas e algumas; decepcionadas. Pessoas sem importância, talvez um professor da escola, um conhecido da família, um artista amador que havia lhe dado uns toques, o professor de pintura... Ninguém que quisesse ter seu nome citado, mas ninguém que quisesse ter ajudado a criar um ... um ingrato.
O talento é nosso, sem dúvida! Há quem diga que ninguém ensina ninguém, apenas mostra o caminho para a aprendizagem. E nós somos eternos aprendizes. Em todas as fases de nossas vidas há um mestre esquecido. Eu aprendi, e ainda aprendo, muitas coisas por meio de várias pessoas, muitas vezes apenas observando. Eu tenho muitos dons e se um dia conseguir usá-los , é porque tive, e tenho, bons mestres. Alguns anônimos que nem sonham que aprendi com eles, outros que até me esqueci o nome, mas prá todos eles eu devo alguma coisa, ao menos um MUITO OBRIGADA!!!
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