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domingo, 2 de novembro de 2008

Finados?

_Êeeh, hoje é dia 2, é finados no Brasil..._ Meu marido se lembrou. Aqui o tempo parece que passa muito rápido e já não prestamos muita atenção nas datas.
_Éh mesmo! _ Aqui no Japão dia 3 é dia da cultura, e eu estou sempre ocupada tendo que ir no bunka katsudou kai da escola ver as atidades culturais da classe do meu filho, e ainda tenho que ir no bunka sai do nosso curso de japonês, onde nós somos atração internacional. Chique, né!
Mas, num instante me veio a imagem das pessoas que perdi. Meus avós paternos, Dinho e Dinha, com quem convivi muito pouco... Meu cunhado Luiz Yamashita ( Chita/ China/Luiz Vila Abreu...), irmão prestativo, tio carinhoso, amante do futebol, amigo de seu amigos, daquele tipo que fica à pé prá emprestar o próprio carro pro amigo viajar... Gostava de dar festas, de distribuir presentes aos amigos, parentes e aos mais pobrezinhos no dia das crianças, no Natal. Ainda jovem levou cartão vermelho, foi expulso do campo da vida... Seu pai foi em seguida, abatido pela perda do filho, a diabetes levou meu sogro Vila Abreu,( José Benedito) que por um tempo também foi meu pai, exigente, bravo, mas um avô de verdade! Aos 98 anos, eu acho, perdi Seu Antonio, outro pai, avô que tive por pouco tempo mas que jamais vou esquecer. Cabeça jovem, coração bom... Era meu vizinho, não esperou por mim...
Dia de Finados é assim, a gente chora, reza, lembra das histórias tristes, trágicas ou alegres, ri... visita cemitério, leva flores... A única certeza que temos é que vamos morrer, e como fugimos disso! Mas aqui no Japão, nossos dias são quase todos iguais. Nós vivemos na ilusão de que nossos parentes e amigos estão todos lá, aguardando o nosso retorno. Será?

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