No Japão, o ano fiscal vai de abril até março.
Então, em abril um novo ano começa, na empresa com a entrada de novos funcionários, na escola com o ínicio do ano letivo e na vida pessoal com os novos sonhos e esperanças, afinal é primavera!
Recentemente, me tornei seishain da empresa, isso significa ser funcionária direta, sem intermediários, com todos os direitos e deveres dos japoneses. O direitos incluem folga remunerada, bônus, auxílio família, auxílio transporte. Os deveres, pagar o tão temido shakai hoken (seguro social de saúde) e a aposentadoria. Isso leva uma boa parte do salário mas o futuro é incerto, todo mundo sabe, e ficar velho sem ter aposentadoria não é uma coisa muito interessante, principalmente aqui no Japão... Há ainda as viagens, passeios, eventos sociais que não incluem as famílias dos funcionários...
Também recentemente, participei do meu primeiro evento um hanamienkai, que segundo o título deveria ser um piquenique sob as flores de cerejeiras e nesse caso era uma festa! Estava preocupada afinal, isso incluía passar a noite num onsen (termas), tomar banho pelada com as japonesas e comer de hashi... Tudo bem, o hashi (pauzinhos) eu sempre treino em casa, mas tomar banho com um monte de mulheres...
Mas qual é a graça em ser shain e não participar das coisas que eu não podia porque não era? Saímos do trabalho, entramos no ônibus e fomos. Um local muito bonito, familiar, tudo reservado para a nossa turma. Um quarto aconchegante, um edredon fofíssimo, quimono... Lá fui eu! Me fiz de cega, tirei a roupa, sentei no banquinho, lavei tudo com a toalhina e depois entrei na água escaldante, sem prestar atenção em nada. Ai que delícia! Acho que foi a melhor primeira vez da minha vida!
No salão de festas, pequenas mesinhas que formavam um U ao contrário, no topo a presidência e os novos funcionários, eu também! Sem fotos... No cardápio, além do saquê e da cerveja, sashimi, sukiaki, tempurá, mazegohan, etc,etc..._ Você já comeu esse tipo de comida? _O chefão me perguntou. _Não, mas posso tentar!...
Depois de comer tudo aquilo, e no dia seguinte comer o banquete matinal e gostar, cheguei a conclusão de que eu realmente mudei muito. Aquela Silvia que veio para o Japão era uma simples brasileira e esta que está aqui já não sabe mais ao certo o que é...
Mas o mais interessante neste meu rápido passeio, foi estar pela primeira vez entre eles, e ser aceita como parte do grupo. Enquanto eles bebiam eu observava, discretamente, e comparava com brasileiros. Os japoneses realmente são tímidos e precisam beber para conversar, se divertir, mas mesmo bêbados não se tornam inconvenientes nem baixam o nível... E no dia seguinte, de volta ao trabalho, todo mundo quieto, nenhum comentário, nenhuma fofoca, parece que não fomos à lugar nenhum...
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Tsunami
De repente está tudo bem, vem um tremor, uma onda gigante e leva tudo. Vidas, bens materiais, sonhos, tudo vai embora. O que sobra parece lixo, e no meio do lixo as pessoas que felizmente se salvaram. No meio do nada devem se peguntar: e agora?... Aos poucos as coisas vão se ajeitando, mas e as cidades devastadas? As pessoas perderam suas historias num segundo e ganharam um trauma para toda a vida, que bom que estão vivos, mas muitos estão sem parentes, sem casa, sem emprego... O perigo da radiação assusta o mundo, a água do mar está sendo contaminada... O mundo inteiro se mobilizando em eventos para arrecadar fundos para enviar ao Japão que dias atrás estava ajudando no terremoto da Nova Zelândia, onde vários japoneses, a maioria de Toyama-Ken, foram vítimas... Os japoneses são muito organizados em tudo, nos primeiros três dias da tragédia, todos os programas de tv de todas as emissoras sairam do ar, inclusive os canais de vendas, nenhuma propaganda comercial foi veiculada, durante todo o tempo foram exibidos programas de notícias sobre os tremores, sem sensacionalismo barato. A televisão brasileira faria isso?... Aos poucos a programação está voltando ao normal e a maioria dos comerciais incentivam a solidadriedade e a coragem prá recomeçar.
Minha vida não mudou, moro longe da área de risco embora o risco exista em todos os lugares, embora eu resida há trinta, quarenta quilômetros de uma outra usina nuclear, eu continuo me perguntando: e agora? Muitos brasileiros, em pânico, estão voltando ao Brasil. Outros estocaram muito arroz, compraram muita comida achando que ia faltar. O combustível subiu.
É difícil entender a cultura japonesa, quando damos um presente para alguém, por exemplo, esperamos que a pessoa se alegre e não que que em seguida nos devolva outro. Parece que os japoneses não gostam de receber presentes pois se sentem obrigados a retribuir... É o sistema deles, embora eu prefira receber de volta um sorriso sincero apenas. Mas, e agora? Como retribuir a toda ajuda de tantas pessoas estranhas que estão se mobilizando por todo o mundo? Com apenas um sorriso! Eu não sei bem que liçao aprenderemos nisso, mas eu que não tenho sangue nipônico e que já fui até discriminada por isso no Brasil, estou vendo que o primeiro mundo também precisa de ajuda, e que os gaijins do mundo inteiro estão ajudando o Japão!... Ganbare Nippon!
Minha vida não mudou, moro longe da área de risco embora o risco exista em todos os lugares, embora eu resida há trinta, quarenta quilômetros de uma outra usina nuclear, eu continuo me perguntando: e agora? Muitos brasileiros, em pânico, estão voltando ao Brasil. Outros estocaram muito arroz, compraram muita comida achando que ia faltar. O combustível subiu.
É difícil entender a cultura japonesa, quando damos um presente para alguém, por exemplo, esperamos que a pessoa se alegre e não que que em seguida nos devolva outro. Parece que os japoneses não gostam de receber presentes pois se sentem obrigados a retribuir... É o sistema deles, embora eu prefira receber de volta um sorriso sincero apenas. Mas, e agora? Como retribuir a toda ajuda de tantas pessoas estranhas que estão se mobilizando por todo o mundo? Com apenas um sorriso! Eu não sei bem que liçao aprenderemos nisso, mas eu que não tenho sangue nipônico e que já fui até discriminada por isso no Brasil, estou vendo que o primeiro mundo também precisa de ajuda, e que os gaijins do mundo inteiro estão ajudando o Japão!... Ganbare Nippon!
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