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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vida nova!

No Japão, o ano fiscal vai de abril até março.
Então, em abril um novo ano começa, na empresa com a entrada de novos funcionários, na escola com o ínicio do ano letivo e na vida pessoal com os novos sonhos e esperanças, afinal é primavera!
Recentemente, me tornei seishain da empresa, isso significa ser funcionária direta, sem intermediários, com todos os direitos e deveres dos japoneses. O direitos incluem folga remunerada, bônus, auxílio família, auxílio transporte. Os deveres, pagar o tão temido shakai hoken (seguro social de saúde) e a aposentadoria. Isso leva uma boa parte do salário mas o futuro é incerto, todo mundo sabe, e ficar velho sem ter aposentadoria não é uma coisa muito interessante, principalmente aqui no Japão... Há ainda as viagens, passeios, eventos sociais que não incluem as famílias dos funcionários...
Também recentemente, participei do meu primeiro evento um hanamienkai, que segundo o título deveria ser um piquenique sob as flores de cerejeiras e nesse caso era uma festa! Estava preocupada afinal, isso incluía passar a noite num onsen (termas), tomar banho pelada com as japonesas e comer de hashi... Tudo bem, o hashi (pauzinhos) eu sempre treino em casa, mas tomar banho com um monte de mulheres...
Mas qual é a graça em ser shain e não participar das coisas que eu não podia porque não era? Saímos do trabalho, entramos no ônibus e fomos. Um local muito bonito, familiar, tudo reservado para a nossa turma. Um quarto aconchegante, um edredon fofíssimo, quimono... Lá fui eu! Me fiz de cega, tirei a roupa, sentei no banquinho, lavei tudo com a toalhina e depois entrei na água escaldante, sem prestar atenção em nada. Ai que delícia! Acho que foi a melhor primeira vez da minha vida!
No salão de festas, pequenas mesinhas que formavam um U ao contrário, no topo a presidência e os novos funcionários, eu também! Sem fotos... No cardápio, além do saquê e da cerveja, sashimi, sukiaki, tempurá, mazegohan, etc,etc..._ Você já comeu esse tipo de comida? _O chefão me perguntou. _Não, mas posso tentar!...
Depois de comer tudo aquilo, e no dia seguinte comer o banquete matinal e gostar, cheguei a conclusão de que eu realmente mudei muito. Aquela Silvia que veio para o Japão era uma simples brasileira e esta que está aqui já não sabe mais ao certo o que é...
Mas o mais interessante neste meu rápido passeio, foi estar pela primeira vez entre eles, e ser aceita como parte do grupo. Enquanto eles bebiam eu observava, discretamente, e comparava com brasileiros. Os japoneses realmente são tímidos e precisam beber para conversar, se divertir, mas mesmo bêbados não se tornam inconvenientes nem baixam o nível... E no dia seguinte, de volta ao trabalho, todo mundo quieto, nenhum comentário, nenhuma fofoca, parece que não fomos à lugar nenhum...

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