De repente está tudo bem, vem um tremor, uma onda gigante e leva tudo. Vidas, bens materiais, sonhos, tudo vai embora. O que sobra parece lixo, e no meio do lixo as pessoas que felizmente se salvaram. No meio do nada devem se peguntar: e agora?... Aos poucos as coisas vão se ajeitando, mas e as cidades devastadas? As pessoas perderam suas historias num segundo e ganharam um trauma para toda a vida, que bom que estão vivos, mas muitos estão sem parentes, sem casa, sem emprego... O perigo da radiação assusta o mundo, a água do mar está sendo contaminada... O mundo inteiro se mobilizando em eventos para arrecadar fundos para enviar ao Japão que dias atrás estava ajudando no terremoto da Nova Zelândia, onde vários japoneses, a maioria de Toyama-Ken, foram vítimas... Os japoneses são muito organizados em tudo, nos primeiros três dias da tragédia, todos os programas de tv de todas as emissoras sairam do ar, inclusive os canais de vendas, nenhuma propaganda comercial foi veiculada, durante todo o tempo foram exibidos programas de notícias sobre os tremores, sem sensacionalismo barato. A televisão brasileira faria isso?... Aos poucos a programação está voltando ao normal e a maioria dos comerciais incentivam a solidadriedade e a coragem prá recomeçar.
Minha vida não mudou, moro longe da área de risco embora o risco exista em todos os lugares, embora eu resida há trinta, quarenta quilômetros de uma outra usina nuclear, eu continuo me perguntando: e agora? Muitos brasileiros, em pânico, estão voltando ao Brasil. Outros estocaram muito arroz, compraram muita comida achando que ia faltar. O combustível subiu.
É difícil entender a cultura japonesa, quando damos um presente para alguém, por exemplo, esperamos que a pessoa se alegre e não que que em seguida nos devolva outro. Parece que os japoneses não gostam de receber presentes pois se sentem obrigados a retribuir... É o sistema deles, embora eu prefira receber de volta um sorriso sincero apenas. Mas, e agora? Como retribuir a toda ajuda de tantas pessoas estranhas que estão se mobilizando por todo o mundo? Com apenas um sorriso! Eu não sei bem que liçao aprenderemos nisso, mas eu que não tenho sangue nipônico e que já fui até discriminada por isso no Brasil, estou vendo que o primeiro mundo também precisa de ajuda, e que os gaijins do mundo inteiro estão ajudando o Japão!... Ganbare Nippon!
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