Hoje foi a minha estreia na reunião semanal da fábrica, onde a cada semana um funcionário faz um pequeno discurso e no final lê um tipo de oração, em japonês, lógico. Era um dos meus sonhos bobos, ser igualada aos japoneses até mesmo nisso... Depois que passei para o time oficial, a primeira coisa que fiz foi pedir uma cópia dessa oração com o modo de leitura dos kanjis, apesar de não ter estudado...
Pois bem, os japoneses sempre falam a mesma coisa, sobre o tempo, a preocupação em tratar a gripe ou em não ficar gripado... Eu disse apenas que, estava um pouco triste porque o ano já estava prá acabar mas que pensando bem, a minha maior alegria deste ano foi ter sido contratada, que estava muito grata por poder trabalhar e me divertir junto com eles... que não sabia até que ponto eu estaria sendo um fardo para eles, mas que eu estava completamente feliz...
No final, fiz a leitura. Recebi elogios.
_Nossa você lê melhor que eu! Disse um japonês.
Mais tarde dois jovens estavam conversando sobre meu discurso.
_Eu só falo da gripe... Disse um.
_Eu também. Respondeu o outro.
_Não posso falar o que penso? Perguntei.
_Deve. Eles reponderam. Me disseram que todos ficaram tocados por minhas palavras e contentes em saber que eu era feliz por trabalhar ali... Que os japoneses não conseguem expressar os sentimentos assim...
Todo mundo sabe que sou diferente! Está na minha cara, no jeito de falar, andar, comer... E todo mundo me trata como igual! A minha diferença só me ajuda a ser respeitada!
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Brasil e Sérvia em Toyama
Está longe o tempo em que eu parava tudo prá ver o jogo de vôlei dos meninos da seleção, depois de nove anos de Japão, a gente até esquece a cidadania... Nos últimos anos tenho trabalhado apenas com japoneses, passo o dia falando ou tentando falar japonês, ouvindo japonês, pensando no que vou escrever em japonês... Quando volto prá casa, meu filho está me esperando prá ver algum anime ou me chama prá ver algo interessante, em japonês! Nos últimos meses também tenho me divertido junto com os japoneses do trabalho, aprendendo na prática a cultura e aprimorando meu modo de falar japonês e aprendendo a gostar de comida japonesa! A maioria das pessoas que conheci voltaram ao Brasil, por sorte, por causa das aulas de português tenho conhecido mais brasileiras...
Copa em Toyama? Eu vou!! Pensei. Das outras vezes não podia faltar ao trabalho, desta vez faltei com todo apoio do pessoal que trabalha comigo! É o seu país! Vá torcer! Eu fui! Sinceramente, mal sabia o nome das jogadoras. Não entendo nada de vôlei! Mas o sangue brasileiro foi voltando, voltando... De repente, eu estava com um calor terrível, gritando Brasil! Brasil! é uma emoção inexplicável! Ver o time perder os primeiros sets, na frente dos meus olhos, foi sofrido. E a virada emocionante!! Algumas jogadas, quando a bola subia, subia... me lembraram o Bernard e seu saque jornada nas estrelas... Gritei, gritei... pensei que fosse ficar sem voz, mas limpei os pulmões e recuperei minha brasilidade! Naturalmente como era dia e horário de trabalho, a torcida brasileira foi pequena mas funcionou! Os japoneses gritavam Serubia... Serubia... e a gente, Brasil, Brasil... Foi emocionante!
sábado, 5 de novembro de 2011
Sim o paraíso existe, eu trabalho nele...
No meu trabalho, a gente usa jornal prá embalar algumas coisas e sempre que consigo, leio as estorinhas, algumas coisas saltam aos meus olhos. 仕事を好きになって(shigoto o suki ni natte), algo tipo procure gostar do seu trabalho... Ninguém me entende mas eu adoro o meu! Não importa onde, nem com quem, nem o tipo de serviço, as vezes é quase impossível mas eu sempre tento! Atualmente trabalho num local onde não há necessidade de gritarias. Sem estresse... Cada um na sua fazendo o seu trabalho, conversando durante o expediente, passando email, comprando café... E me ajudando porque gente passeando na minha seção tem sempre que me fazer algum favor... kkk...
Nove anos de Japão, vários empregos e é a primeira vez que me sinto realmente bem no trabalho, braçal, pesadinho, corrido, mas eu emagreço, aprendo japonês, tenhos os mesmos direitos e deveres deles, e sou tratada como igual!
O que essa gaijin (estrangeira) está fazendo aqui? Eu posso me orgulhar de ser a única estrangeira no quadro de efetivos, e a primeira. Sem nenhum tipo de discriminação!
Ontem fui na viagem de outono, evento apenas para funcionários, família não participa de nada aqui! Os japoneses vivem fazendo turismo em onsen (thermas). O trabalho pára meia hora antes, paras as mulheres se trocarem! Depois entramos num ônibus e tchau! Fui pela segunda vez, desta vez já não tão envergonhada de ficar pelada com as japonesas...
O hotel thermas (ゆめつづり/yume tsuzuri)é chiquérrimo, as piscinas de água quente ao ar livre, eu entrei em todas! O quarto outro espetáculo, edredons fofíssimos, uma vista linda, e os quimonos... Também fiz algumas observações discretas, definitivamente essa coisa de depilação, depilação artística não deve ser moda por aqui... O banquete era tão chique que as comidas pareciam amostras! Uma variedade imensa mas tão pouquinho... O café da manhã não tem café, mas é um espetáculo self-service!
Os japoneses se divertem juntos, de maneira bem diferente da gente, são mais inocentes, atenciosos, prestativos, e eu estou adorando conhecer esse Japão que até há alguns meses era proibido prá mim. Que graça tem um monte de homens pelados, tomando banho juntos numa água escaldante? Sei lá... Do lado feminino, posso afirmar que passar algum tempo cozinhando num ofurô relaxa, tira o cansaço e deixa a pele tão boa... Além do fato de que nuas, a gente não tem o que esconder, mesmo sem nenhum tipo de contato físico, as pessoas conversam com mais intimidade. Acho que estou virando japonesa...
Nove anos de Japão, vários empregos e é a primeira vez que me sinto realmente bem no trabalho, braçal, pesadinho, corrido, mas eu emagreço, aprendo japonês, tenhos os mesmos direitos e deveres deles, e sou tratada como igual!
O que essa gaijin (estrangeira) está fazendo aqui? Eu posso me orgulhar de ser a única estrangeira no quadro de efetivos, e a primeira. Sem nenhum tipo de discriminação!
Ontem fui na viagem de outono, evento apenas para funcionários, família não participa de nada aqui! Os japoneses vivem fazendo turismo em onsen (thermas). O trabalho pára meia hora antes, paras as mulheres se trocarem! Depois entramos num ônibus e tchau! Fui pela segunda vez, desta vez já não tão envergonhada de ficar pelada com as japonesas...
O hotel thermas (ゆめつづり/yume tsuzuri)é chiquérrimo, as piscinas de água quente ao ar livre, eu entrei em todas! O quarto outro espetáculo, edredons fofíssimos, uma vista linda, e os quimonos... Também fiz algumas observações discretas, definitivamente essa coisa de depilação, depilação artística não deve ser moda por aqui... O banquete era tão chique que as comidas pareciam amostras! Uma variedade imensa mas tão pouquinho... O café da manhã não tem café, mas é um espetáculo self-service!
Os japoneses se divertem juntos, de maneira bem diferente da gente, são mais inocentes, atenciosos, prestativos, e eu estou adorando conhecer esse Japão que até há alguns meses era proibido prá mim. Que graça tem um monte de homens pelados, tomando banho juntos numa água escaldante? Sei lá... Do lado feminino, posso afirmar que passar algum tempo cozinhando num ofurô relaxa, tira o cansaço e deixa a pele tão boa... Além do fato de que nuas, a gente não tem o que esconder, mesmo sem nenhum tipo de contato físico, as pessoas conversam com mais intimidade. Acho que estou virando japonesa...
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