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sábado, 30 de junho de 2012

No, I not speak english...

Antes de vir ao Japão, estudei um pouco de japonês. O suficiente para fazer algumas perguntas e não entender a resposta, como constatei na chegada no aeroporto de Tokyo. Um ano depois, voltei ao Brasil e, novamente no aeroporto, tudo que eu queria perguntar ou era em japonês ou português, as coisas mais óbvias em inglês, esqueci.
Uma coisa é estudar inglês na escola, ouvir umas musiquinhas... outra coisa é fazer aula com um professor inglês... Meu Deus como é difícil. Nada a ver com o  que se ouve no Japão nem no Brasil. Vendo as palavras é facil imaginar o significado, muitas palvras parecidas mas a tal da pronúncia, a velocidade, a acentuação...
Da minha primeira aula ficaram algumas certezas:
1- Eu já tenho uma segunda língua: quando não penso em português já consigo pensar em japonês...
2-É muiiiito difícil e por isso mesmo, interessante. Não vou desistir...
3-Sim, eu quero, eu preciso aprender inglês.
Por que?
Porque eu decidi que preciso e pronto.

domingo, 17 de junho de 2012

Palavras soltas...

Não posso me dar ao luxo de dizer tudo o que penso a respeito de tudo e de todos, primeiro porque tenho sempre que pensar em não magoar as pessoas que afinal, as vezes, nem sabem o tamanho do mal que nos causam ou causaram... e segundo porque se digo como realmente vejo as coisas, sempre aparece alguém para pensar que sou fria ou revoltada...
Bom as vezes é preciso ter sangue de barata... Revoltada? Não. Não dá tempo.
Pensando bem, se fosse revoltada teria uma boa desculpa para enveredar no caminho das drogas, etc. Mas para isso teria que cair mais ainda, sempre me achei mais inteligente...
Algumas pessoas revoltadas tem tendências suicidas... Imagine eu deprimida, cortando os pulsos... se desse certo, perderia muito sangue, ficaria muito mais pálida... e se não desse, teria eu mesma que limpar o sangue espalhado pela casa...  Não. Pular de um lugar alto? Tenho certo horror de altura... ficaria empacada em algum lugar até o resgate chegar... Pular de uma ponte alta, sobre um rio ou o mar? Naquela água gelada? E se,  no sufoco, aprendo a nadar?.. Tomar um monte comprimidos juntos? Não, sempre tem um que corta o efeito dos outros, ou aparece alguém na última hora... e depois ainda vem a lavagem estomacal... Não, não sei fazer nó de forca, nem tenho boa pontaria... E passar do noticiário cultural para o policial? Nem morta...  kkkkkkkkkkkkk
Quem quiser, pode ter certeza que sou maluca. Revoltada? Não. Sou romântica mas também sou realista e apaixonada por minha vida. Eu me amo.
E finalmente, quem secar minhas lágrimas, me fizer sorrir, realizar os meus sonhos e pagar as minhas contas, talvez tenha direito de achar alguma coisa sobre mim ou me cobrar alguma coisa...

                                                                             Silvia Chaparral

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mãe, posso te contar uma estória?...

Eu aprendi a ouvir estórias com minha avó materna, nordestina, analfabeta na época,  cheia de conhecimentos  e um talento prá nos fazer querer ouvir a mesma coisa várias vezes... Já adulta, descobri que a minha  favorita era na verdade um dos contos de Andersen...
Sempre gostei de ler, não assino nada que não tenha lido, aprendi isso nas novelas da Globo... Lia de rótulos de produtos a bula de remédios, quando ouvia uma música sabia quem era o compositor... Em Campinas, havia uma biblioteca circulante, num caminhão que vinha uma vez por semana e eu pegava um monte de livros, alguns devolvia até no mesmo dia... Na escola os livros circulavam, a gente comprava um e lia todos, tinha que fazer um resumo... No final, fiquei com Marcelino pão e vinho... No ginásio, Pedro Bandeira, lemos a coleção. No colegial, cada um por si e Harold Robins, Sheldon, prá todos, 300, 400 páginas em três dias. Jorge Amado, Érico Veríssimo...
Antes de meus filhos nascerem eu já tinha várias coleções de clássicos ilustrados Disney, Monteiro Lobato, Andersen, Grimm, Perrault, Esopo e mais de 500 gibis... e  os usei no pouco tempo em que lecionei.
Depois, já com meus filhos, todo dia uma estorinha e nas noites de tempestade, quando a energia caía, criávamos nossas estórias e minha filha sempre dava um jeito de acabar com o personagem principal... Assim também criei algumas como Dona Samambaia... Também não bastava ler, tinha que fazer drama, as vozes dos personagens...
Então, quando meu caçula aprendeu a ler, toda noite lia um trecho  da obra de Monteiro Lobato... A Emília, ah Emília...
_Mãe, tá acordada? Mãe...
Todo mundo sabe que ler melhora o vocabulário, a capacidade de concentração, o raciocínio, quem lê muito pensa rápido, entende, analisa melhor, escreve melhor, e surpreende os professores nas atividades de interpretação de textos, etc.
_Nossa, você tem respostas profundas... quantas vezes você leu o texto?_ O professor japonês perguntou.
_Uma só... _ Meu filho respondeu...
E agora, com todos crescidos e sem pressa de ser avó, as cobaias  são outras...   minha nova coleção está circulando nas mãos dos meus alunos. A tarefa é ler. Ler para a mãe, o pai, a avó, ler. Ler várias vezes até entender. Depois, num caderninho próprio faremos o registro das leituras de cada um, nome do livro, autor, editora, personagens, resumo e a opinião do aluno. Gostou? Não gostou? Por que?... O objetivo é lógico, desenvolver o gosto pela leitura, etc. etc. E, como criança também não trabalha de graça, há um cartaz na parede com a lista de livros e o nome dos alunos, cada livro um adesivo de bolinha... Na festa de natal, quem tiver lido mais livros ganhará a maior cesta de doces... a corrida já começou...
_Professora, minha mãe dormiu na primeira página...