Ela passa por mim, caminhando com seu corpo velho e frágil dobrado ao meio sobre um carrinho que os japoneses empurram como uma espécie de bengala, no qual se sentam quando cansados. Passinhos lentos, olhar no chão... Que sonhos teria aquela senhorinha cuja rotina parecia ser passear pelo hospital? Que histórias ocultaria aquele corpo, cansado, sofrido, agora quase inútil, que mal conseguia se locomover? Interrompo minha leitura e a acompanho com os olhos perdidos em pensamentos e perguntas sem respostas até que ela desaparece no corredor. Não. Não precisa de ajuda, só quer ser independente dentro de suas limitações, andar com suas próprias pernas que já não podem mais levá-la aos lugares que gostaria de ir... Mas ela não pode parar, precisa seguir em frente, se sentir viva enquanto há vida...
Silvia Chaparral
Nenhum comentário:
Postar um comentário