
Quando estava grávida de meu primeiro filho, Alan, meu cunhado Luiz também estava ¨grávido¨ do Gianini, um time de futebol que saiu das peladas entre amigos para as páginas dos jornais da capital. No dia da inauguração do Estádio Beira Rio, depois Júlio Maia, construído com recursos próprios, entre barulhos de torcedores e queima de fogos, meu filho com 1 mês de idade dormia sossegadamente em seu carrinho enquanto toda a família trabalhava. O Benê na portaria, exigindo as carteirinhas dos sócios, o Vila Abreu correndo prá lá e prá cá, eu, dona Rosa e Cristina ajudando no caixa, Isabel e Tia Albertina na cozinha, Luiz, Geraldo e Toninho no campo...
Domingo era dia de folga, depois do almoço. O supermercado Vila Abreu abria as 6 da manhã e fechava ao meio -dia, 1 hora. Folgar no domingo significava, fazer limpeza, lavar roupas, tirar um cochilo ou passear na fazenda. Passear na fazenda significava, plantar ou colher alguma coisa, e comer muita poeira na carroceria(ou carroçaria) da camionete, e abrir porteiras, montar e cair do cavalo... melhor não passear! Em dia de jogo era uma correria só, e toda a família tinha que comparecer ao estádio e trabalhar! Era uma diversão, mas também uma obrigação de parente! Quando o time saía prá jogar em outras cidades era uma agonia geral. A vitória era comemorada com muito barulho, fogos, buzinas e uma carreata pela avenida José Ferreira da Costa, Costa Rica vibrava! Dizem que quando o time perdia saía escoltado das cidades, perseguido pelos torcedores locais, quando ganhava também... Foi um tempo muito bom, enquanto presidente do time, o exigente Vila Abreu, em véspera de jogo saía pelos bares da cidade procurando algum jogador que estivesse desobedecendo ¨ o toque de recolher¨, jogador do Gianini não podia fazer isso, não podia comer macarrão em véspera de jogo(?)... Existia um amor a camisa, uma devoção, algo que mobilizava toda a cidade.
Antes de ir embora de Costa Rica, participei com meu sogro, minha sogra e meus filhos, de uma homenagem ao Luiz e ao Gianini. Ambos já não existiam mais. Eram apenas uma lembrança de tempos felizes.
Quando o Luiz foi morto, eu estava grávida de meu último filho! E a última lembrança que tenho de meu cunhado vivo, é a maneira como olhava para o meu barrigão. Ele adorava crianças. E este sobrinho que ele foi impedido de conhecer hoje é goleiro no time de futebol da escola, não se esforça muito mas o futebol foi opção dele. 14 anos! Se estivesse vivo, Luiz poderia se orgulhar de seus filhos e sobrinhos, ainda que alguns deles prefiram jiu-jitsu.
_Ô Alambrado (era como chamava o Alan), vamos no campo com o tio?
Por uns tempos ele foi, e foi mascote do time por um bom tempo. _ Goooool gianini basil!!!_ Era o que se ouvia em casa, não importava que jogo estivesse passando na tv...Mas depois, _ Ah, tio não quero aprender futebol não..._ Alan, até gostou de basquete, mas também prefere jiu-jitsu...
Costa Rica tem muita história prá contar. Mas algumas, simplesmente, jamais poderão ser esquecidas.
Eu conheço esse intruso na foto do lado direito... hehe
ResponderExcluirOie, adorei seu blog, as histórias da família Souza são d+!!! estou na família só a 4anos, o Joney ja me contou varias histórias, mas eu gostaria de saber mais sobre a família... ah e tmbm sou louca p conhecer os tios que eu não conheço... Pois so conheço a Vó Rosa, a Tia Cris e meu sogro... E meu japonezinho tmbm quer conhecer os tios...
ResponderExcluirQue bom que vc gostou benvinda a familia Souza!!!!
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